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Gémeos de signo. Adoro animais, escrever, fotografia, entre muitas outras coisas mais. Adoro tatuagens. Plant Based. Activista. Aqui falo do que gosto, de como penso, de como sou, de como vejo o mundo e o meu espaço. Acompanha-me.

Quando o Tiago me enviou uma mensagem a fazer questões de veganismo, nunca imaginei que, dali, iria sair uma conversa muito mais além do que ele mostrava querer saber nesta área onde me inseria. Extremamente baralhado, confuso, desanimado. O Tiago tinha dúvidas. Tem muitas dúvidas. E eu, estou neste momento ao lado dele. Sinto-me entre a espada e a parede. Mas sinto que sou preciso ali. Na vida dele. Estranho como alguém que nunca vimos, alguém que nos diz que precisa de esclarecer algumas coisas para se tornar vegetariano, se encontra comigo a primeira vez, confia tanto em mim, como se deveria apenas confiar em algum irmão, amigo, familiar. E eu deixo-me ir no balanço. Estou tranquilo.
Disse um dia a D. Rosa, avó de um amigo meu de infância, o André, que faleceu há uns anos num acidente de mota brutal, que eu não era do mundo. Era um ser estranho. Olhava-me nos olhos e dizia que era um ser que tinha nascido para encaminhar os outros. Era a minha missão. Desde pequeno que ela me assustava com estas conversas. Era ela que lá na terra, era conhecida, por “ler” o “mau olhado” no rosto dos outros, e os tratar. Cheguei mesmo a ter medo de ir na casa do meu amigo por causa da D. Rosa... Um dia, disse-me que a minha morte seria causada por uma terrível doença. Nunca mais lá entrei em casa. Hoje penso tanto naquilo que ela dizia... Porquê?
Mas vamos voltar ao Tiago. Marcamos um café no Cais do Sodré, no quiosque ali mesmo ao lado do mercado da Ribeira. Tudo normal. Apareceu vestido de preto. Chegou de Mota. Vinha com um capacete enfiado no braço. Já lá estava e levantei-me para o cumprimentar. Vinha sério, mas rapidamente lhe arranquei um sorriso do rosto com as minhas palhaçadas. Começamos a falar de motas, imaginem, eu que nem sou dessas coisas. Faz tempo que não andava em nenhuma. Palavra puxa palavra e no meio já de um diálogo recheado de conversas sobre animais e vegetarianismo, o Tiago, diz uma coisa que me cerrou a fala.
“Gostava de desabafar um problema contigo embora não te conheça muito bem. Podes ser o irmão que nunca tive?”, questiona.
No meio daquela intervenção apenas sorri e respondi que sim, na boa, que se precisasse de desabafar que era tranquilo e que podia estar completamente descansado comigo. Entendi que alguma coisa o atormentava de verdade. Desde o momento em que chegou perto de mim e trocamos algumas palavras, que vi que aquele encontro não seria ser uma conversa simples de café.
“Achei que eras a pessoa indicada para comentar isto contigo. Estás a ajudar-me e tal...” Continuei a ouvi-lo.
“Fala”, disse. “Conta o que tens para me contar. Que seja então o irmão que nunca tiveste”, afirmei. Sorri.
O Tiago olha-me nos olhos, começa por me contar que tem uma namorada há 7 anos, vivem há 2 anos juntos, e que, em breve iria casar. Perguntei-lhe se estava contente, feliz, se estava tudo a correr bem.
“Não”, responde. “Esse é que é um grande problema. Conheci uma pessoa há uns tempos, que me confirmou uma coisa que já sabia há muito. Mas precisei desta pessoa para ter certezas”, conta-me.
Dentro da minha cabeça, da maneira que ele falava, observando para onde ele olhava, vendo como me olhava enquanto conversava, fui tirando as minhas conclusões. E no final, elas estavam certas. Raramente me engano.
O Tiago, vive com uma rapariga, vai casar, mas não é feliz, porque na verdade não é aquilo que ele quer para a vida dele. O Tiago sentiu-se atraído por outro rapaz, dois anos mais novo, conheceu-o, ficou “hipnotizado” pelo momento, e confirmou aquilo que ele não queria admitir. O Tiago tem tido medo da família, da sociedade, dos amigos, o Tiago tem tido medo de ser escorraçado em praça pública por causa da sua opção sexual, portanto tem mantido uma relação como “moldura bonita” para quem os rodeia. Tem mantido uma vida de fachada dentro de quatro paredes, e quando consegue, encontra-se com o seu mais que tudo, e lá tenta ser feliz.
Esta situação não me é estranha. Tenho tido conhecimento de casos destes com muita frequência, mas nunca ninguém, desconhecido, me tinha pedido para me contar um segredo deste calibre. Tomei e tomo a responsabilidade de ajudar o Tiago. Estou a ouvi-lo, a tentar encaminha-lo, estou a tentar ajudar o Tiago a ser Vegano, porque ele me pediu, estou a tentar ajudá-lo a ser feliz, sem que, permita muito mais tempo que a vida que está a levar, seja uma bola de neve maior e com consequências muito mais graves que aquelas que já estão a acontecer. Estou a tentar fazer ver ao Tiago que a sociedade mais que nunca, o vai aceitar como ele é. Genuíno. Não tem de ter medos. Aqui, o único medo e preocupação é continuar uma vida infeliz.
O Tiago pediu-me segredo. O Tiago deixou-me contar esta história. Ninguém vai saber quem ele é. Dizia-me a sorrir que gostava de ler os meus textos e que o ajudava muito no dia a dia. Fiquei feliz. Fico sempre quando me dizem isto. Fiquei feliz de estar a ser “o irmão que ele nunca teve”, o irmão que talvez ele quisesse ter para o ajudar a resolver este problema. E todos os outros...
Para ele, agora, ser feliz é um problema. Porque não conseguiu ver a tempo com o medo que sentia, que o verdadeiro problema foi a vida que escolheu para agradar aos outros.
O Tiago deixou de comer animais. Disse-me esta semana. O Tiago disse-me que vai contar à família, à namorada e resolver a situação sentimental. Que vai terminar com este dilema. Um desmoronar de sentimentos. Diz-me também que, sou a força dele. Tão pesado que isso é. Engoli em seco. Apoiou-se mesmo em mim. E eu deixei. Estou a deixar.
A minha energia ainda não esgotou. Acho que não vai esgotar tão depressa. Espero. Tanta história que me tem passado pelas mãos. Fome, suicidio, doenças, tantas coisas que me partilham como se eu fosse “aquele irmão que nunca tiveram”...
O Tiago diz que me quer apresentar o Pedro.
Já sorri. Ainda não contou a ninguém além de mim. Mas vai contar. Diz que não pode demorar mais tempo para ser feliz. Independentemente do que isso possa causar na vida dos outros. O Tiago disse-me que foi com o Pedro, jantar a um restaurante totalmente Vegetariano. Falaram de mim. Disse-me a sorrir, que tornar-se Vegano não é problema algum, ao pé de tantos problemas graves que temos por resolver. Deu uma gargalhada. Fez-me dar uma gargalhada também.
Ontem, enviou-me uma mensagem:
“Se os perder a todos, tenho-te a ti certo? O irmão que nunca tive!”
Sim Tiago, estou aqui. Sempre.
Cláudio da Silva
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